As quatro grandes operadoras de serviços móveis – Telefônica Vivo, TIM, Claro e Oi – vão participar do leilão da faixa de frequência de 700 megahertz para implantar serviços de quarta geração (4G), afirmou, ontem, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. O Ministério da Fazenda mantém a projeção de arrecadar R$ 7,5 bilhões durante a concorrência, marcada para agosto, já considerando as exigências de contrapartidas.
O ministro disse que está preparando um road show, que será realizado em junho na Europa e nos Estados Unidos, para atrair operadoras estrangeiras para o leilão.
“São quatro lotes nacionais e os lotes regionais, mas expectativa é que os lotes nacionais saiam primeiro”, disse Bernardo. Segundo ele, todas as empresas participantes, nacionais ou estrangeiras, terão obrigação para desocupar a faixa (de 700 MHz), indenizar investimentos que terão que ser feitos pelo setor de televisão, e isso vai ser expresso inclusive em números no edital.
“Vamos refazer os cálculos antes de publicar o edital. Vai ser estipulado preço mínimo pelos lotes e, depois do leilão, pode ser que aumente a arrecadação prevista”, disse Bernardo.
Sobre a Copa do Mundo, que será realizada de 12 de junho a 13 de julho, o ministro garantiu que a estrutura exigida para o evento está pronta e que não haverá problemas de telecomunicações durante os jogos. “Nosso compromisso com a Fifa é colocar rede de fibra óptica em todos os estádios para garantir transmissão. Isso está feito, todos os estádios têm dois anéis de fibra óptica”, disse o ministro.
Bernardo afirmou que, em adição à exigência da Fifa, o governo aproveitou o leilão de 4G de 2012 para garantir, em edital, a obrigação de que 80% das cidades-sede fossem atendidas primeiro. “Como achamos que [apenas isso] não será suficiente, falamos com todos os construtores de estádios para pedir rede Wi-Fi nos locais”, disse. “Os [construtores dos] estádios que entenderam isso se apressaram, e hoje temos seis estádios com Wi-Fi instalados.”
Para Bernardo, ainda dá tempo de fechar acordos para redes Wi-Fi em outros estádios. “Mesmo que em cima da hora, já melhora, ainda que não seja o que gostaríamos”, reconheceu. O atraso na construção em alguns estádios, como em São Paulo e Cuiabá, também dificultou a integração com a rede Wi-Fi. Os técnicos precisam do estádio pronto para colocar a rede.
O ministro disse, ainda, que a falta de infraestrutura de fibra óptica é um grande limitador ao crescimento da banda larga no país. Bernardo citou que mais da metade das cidades brasileiras não tem conexão com fibra óptica.
“Temos que chegar a pelo menos 95% dos municípios com infraestrutura de fibra óptica em quatro ou cinco anos”, disse. “Para, precisamos investir em redes, e temos discutido com o governo como vamos fazer isso.” Segundo o ministro, o investimento está sendo negociado em nível ministerial. Ele não soube afirmar se o aporte de recursos seria da iniciativa privada ou do governo.
O Finame, linha de financiamento de máquinas e equipamentos do BNDES, já inclui fibra óptica, mas o ideal para o setor seria um financiamento maior. “Temos que ver as condições do BNDES, ver se outros bancos federais também ajudam, e avisar o mercado”, disse o ministro.
Por Elisa Soares | Do Rio
Valor Econômico