Brasília, 12/11/2014 – Qual a contribuição dos Telecentros (espaços sem fins lucrativos de acesso público e gratuito com computadores conectados à Internet) para a inclusão digital? Foi com esse objetivo que Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), por meio do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), realizou pesquisa nesses espaços sem fins lucrativos de acesso público e gratuito com computadores conectados à internet.
Voltada aos programas do Governo Federal sob coordenação do MiniCom (Gesac, Telecentros.BR e Telecentros Comunitários), a pesquisa feita in loco em todas as regiões do Brasil, incluindo as mais remotas localidades, foi apresentada pelo diretor do Cetic, Alexandre Barbosa (foto abaixo), na manhã desta quarta-feira, na abertura do evento “Diálogos Sobre Políticas Públicas e Indicadores TIC no Brasil”.
Segundo Barbosa, o levantamento foi realizado entre novembro de 2012 e dezembro de 2013, em uma amostragem dos 5.013 dos 9.514 Telecentros cadastrados no Ministério das Comunicações, entrevistando presencialmente 608 gestores e 362 usuários e, na etapa final, marcada por entrevistas “qualitativas”, outros 22 usuários.
No momento da coleta de dados, foram registrados 22% de Telecentros funcionando precariamente, por falta de conexão, equipamentos, manutenção ou assistência técnica. “Mas 78% estavam em pleno funcionamento”, como observou o diretor da Cetic.
Perfil dos usuários
São 4,5 milhões que fazem uso contínuo dos Telecentros, acrescentou Barbosa, que traçou o perfil de seus frequentadores: estudantes do ensino médio, com idades entre 16 e 24 anos, integrantes da classe C. “A maioria dos usuários procura os Telecentros para fazer pesquisas escolares, ao contrário do que ocorria nas lan-houses, aonde a maioria dos internautas iam para assistir a filmes e vídeos ou para jogar games”, afirmou.
Capacitação
Barbosa destacou que os Telecentros têm funcionado também como um espaço de capacitação e formação de habilidades. “Quase metade dos usuários declarou que já fez algum curso no Telecentro, enquanto 86% já pediram ajuda ou orientação do monitor”, acrescentou, lembrando que os Telecentros contribuíram ainda para aumentar as habilidades dos usuários em lidar com as ferramentas de navegação.
De acordo com o diretor da Cetic, esse último dado é muito importante para o Brasil, que tem muita carência de habilidades no uso do computador e da internet. “Das mais simples atividades de uma padaria até uma indústria de alta complexidade, nós precisamos cada vez mais dessas habilidades”, acrescentou.
Outros dados importantes, na visão de Barbosa, é que 45% dos usuários já fizeram algum curso nos locais Telecentros – “um número bastante considerável onde temos um nível de escolaridade mais baixo” – e 41% adquiriram habilidades no uso do computador. “Daí a importância de monitores nos Telecentros”, afirmou.
“Estamos diante de uma grande oportunidade de formação de habilidades nas novas tecnologias digitais. O Telecentro terá cada vez mais um papel relevante nessa direção”, concluiu o diretor, observando que “é preciso dar mais visibilidade e divulgar melhor os Telecentros, tão importante para as áreas mais remotas do país”.
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Ministério das Comunicações