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Planalto retira trecho de marco da internet para diluir “blocão”

Planalto retira trecho de marco da internet para diluir “blocão”

Depois de parte da base governista na Câmara dos Deputados ameaçar derrotar o projeto do marco civil da internet, o governo aceitou tirar do texto o trecho que permite ao Executivo, por decreto, obrigar empresas a manterem centrais de dados no Brasil para armazenar informações de internautas. O anúncio da mudança foi feito ontem à noite pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ), relator da proposta na Câmara e alinhado aos interesses do governo.

Outra cobrança dos deputados críticos ao projeto, relacionada à neutralidade da rede, não deve ser atendida: a de que também saísse do texto a possibilidade de o Executivo disciplinar por decreto o tráfego de dados. O governo deve propor que esse decreto seja feito após serem ouvidos o Comitê Gestor da Internet e a Anatel, mas não aceitará abrir mão de regulamentar a questão por decreto, disse a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, também na noite de ontem.

Molon e Ideli falaram sobre o assunto no Ministério da Justiça, onde estiveram reunidos com o ministro José Eduardo Cardozo e com os líderes do PR, do PTB, do PSD, do PCdoB, do Pros e representantes da bancada do PT na Câmara. Molon e o líder do Pros, Givaldo Carimbão (AL), deixaram a reunião comemorando o fato de os colegas do PR, do PSD e do PTB terem concordado com as propostas feitas pelo governo para as centrais de dados e para a neutralidade da rede.

O líder do PSD, Moreira Mendes (RO), afirmou que, no lugar do atual artigo que fala sobre as centrais de dados, o governo aceitou uma nova redação, que ainda será elaborada e deixará claro que as empresas que atuam no Brasil devem respeitar a lei e a soberania brasileira – o governo afirma que as empresas alegam manter centrais de dados no exterior para descumprir determinações da Justiça brasileira. Mendes disse que essa solução faz com que seu partido apoie a votação e aprovação do marco civil na sessão de hoje.

Às 9h, o ministro Cardozo deve ir à Câmara para receber propostas de mudança no marco civil em uma reunião com o presidente da Casa, Henrique Alves (POMDB-RN) e líderes de todos os partidos, inclusive da oposição. A ministra Ideli afirmou que espera obter, nessa reunião, um acordo para permitir a votação do projeto ainda hoje.

A data da votação, no entanto, ainda não é certa. Na tarde de ontem, Henrique Alves chegou a dizer que a votação ficaria para a próxima terça-feira e hoje seria um dia para os deputados discutirem o assunto e tirarem dúvidas. Líderes de diversos partidos também afirmaram que não havia clima para votar o projeto hoje, uma vez que negociações ainda estavam em curso.

O cenário pode mudar caso o acordo com PSD, PR e PTB seja confirmado nesta manhã. Ontem, o governo considerava estratégico dissuadir essas três siglas de participarem do movimento contrário ao projeto, que mostrava potencial para reunir até 306 deputados (60% da Câmara).

Esse contingente seria fornecido pelo blocão – grupo formado pelos governistas PMDB, PTB, PSC e PR e o oposicionista SDD – que reúne 160 deputados. Pelos oposicionistas PSDB, DEM, PPS e PSB, que contam com cem parlamentares. E pelo PSD (que fazia objeções ao trecho sobre centrais de dados, mas não ao trecho sobre neutralidade da rede), dono de uma bancada com 43 integrantes.

Juntos, PSD, PTB e PR comandam 93 deputados, quase um terço da ala que demonstrava resistência às propostas do governo. O PSOL, que tem só três deputados e faz parte da oposição, afirmou ser a favor de aprovar o texto proposto pelo Executivo.

A polêmica ganhou grandes proporções na tarde de ontem, quando os partidos do blocão e da oposição afirmaram que proporiam, na reunião de hoje com Cardozo, mudanças nos trechos sobre a neutralidade da rede e sobre as centrais de dados. Disseram ainda que só concordariam em votar o projeto hoje caso suas propostas fossem aceitas pelo governo. Do contrário, atuariam para derrotar o texto na próxima semana.

O DEM apresentou uma proposta de emenda global que, se aprovada pelo plenário, substituirá o texto do governo. A principal crítica dos oposicionistas e dos governistas descontentes é sobre a possibilidade de, por decreto, o governo escolher quais empresas serão obrigadas a ter centrais de dados em território brasileiro e dispor sobre diferenciação de tráfego de informações. Para eles, trata-se de uma interferência do Estado no mercado da internet. 

Por Fábio Brandt
Valor Econômico

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