Números são do Fórum SBTVD. Ainda segundo o estudo, 1/3 dos paulistanos ainda tem TVs de tubo
Em meio aos debates sobre como se dará o desligamento do sinal analógico da televisão brasileira, que vai liberar a faixa de 700MHz usada hoje pelas emissoras para implantação da banda larga móvel 4g (LTE), David Britto, membro do conselho deliberativo do Fórum SBTVD, divulgou dados de um levantamento feito por emissoras integrantes da entidade sobre o uso da TV Digital na cidade de São Paulo.
Segundo o estudo, 51% dos 6 milhões de domicílios depende da TV aberta. Entre os 51%, apenas 9% recebem o sinal de TV digital. E 1/3 dos domicílios ainda usam TV de tubo.
“A penetração de TV Digital em São Paulo está nuito baixa. Menos de 300 mil lares de São Paulo usam TV Digital”, afirma David Britto. “São números menores que os de Caruaru”, diz o executivo.
Isso mostra o quanto ainda é preciso fazer para divulgação do padrão SBTVD, antes do desligamento do sinal analógico.
“O sucesso do desligamento estará calcado essencialmente na comunicação efetiva, compreensão do comportamento da sociedade e formas de acesso à tecnologia”, resume Ivan Miranda, diretor de Engenharia da RPC, diretor da Regional – Sul da SET e moderador da sessão onde a pesquisa foi apresentada.
Outra preocupação é com o legado de TVs adquiridas pelos brasileiros antes do apagão analógico, programado para começar em abril de 2016 e terminar em novembro de 2018. A partir de 2017, 12 meses após o início do desligamento, a faixa será ocupada gradativamente pelo sistema LTE/4G de telefonia celular. Para que isso aconteça, o governo federal deverá realizar em setembro o leilão da faixa de 700 MHz para selecionar as operadoras de telefonia que prestarão esses serviços.
Com a faixa de 700 MHz ocupada pelo sistema LTE/ 4G, a transmissão do sinal de TV estará limitada à faixa de 470 – 698 MHz, ocasionando um quadro de interferências entre os dois serviços que ficarão em faixas adjacentes, conforme revelaram, entre outros, os testes realizados pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET).
“Me preocupa a existência de 70 milhões de receptores digitais no mercado que não estão preparados para convivência com o sistema 4G. O que fazer com eles? Nós sabemos que teremos recursos para participantes do Bolsa Família [receberem filtros para mitigação da interferência]. Mas há pessoas que não fazem parte deste projeto de distribuição de renda que são tão brasileiros quanto, compraram a sua TV digital, mas em um ou dois anos terão que gastar mais dinheiro para poder receber o sinal. Como lidar com eles?” questiona Walter Ceneviva, vice-presidente do Grupo Bandeirantes.
É preciso levar em consideração não só os brasileiros do Bolsa Família, mas todos os outros que já usam TV Digital. O uso do filtro – que ainda não tem a sua especificação técnica definida – deve estar disponível para todos os brasileiros. Como? É outra história.
ComputerWorld
Da Redação