TECNOLOGIA DA SALA PARA O LIXO
CRONOGRAMA DE MIGRAÇÃO para sinal digital é considerado ambicioso
Quase sete anos depois da primeira transmissão de televisão digital no Brasil, o Ministério das Comunicações publicou, ontem, no Diário Oficial, o cronograma do desligamento do sinal analógico (switch-off) no Brasil. O processo, que estava previsto para ser concluído em 2016, irá começar em novembro de 2015 com um piloto e só deverá ser finalizado em novembro de 2018.
Em Porto Alegre, a data estabelecida para as televisões analógicas pararem de funcionar é junho de 2017, quando também as emissoras que não estiverem preparadas para transmitir o sinal digital terão de sair do ar – apenas televisores digitais e aparelhos com adaptadores irão funcionar. Nas demais cidades do Estado, a conversão está prevista para 2018.
Apesar do prazo, Cristiane Finger, doutora em Comunicação Social e especialista em TV digital, acredita que essa operação levará mais tempo. Ela explica que nenhum país conseguiu fazer o processo dentro do previsto porque a adaptação da tecnologia é lenta. Segundo Cristiane, há muitas emissoras pequenas não adaptadas ao sinal digital, e o processo é ainda mais complicado para o público:
– Uma televisão nova pode parecer barata, mas, para quem é pobre, não é. Para muitas famílias, a televisão é a única fonte de informação e entretenimento. Quem mais precisa da TV mais tem dificuldade de trocar o aparelho.
O governo deve criar subsídios para a adaptação nos domicílios de baixa renda. Ao mesmo tempo em que a migração para a TV digital ainda está em processo, há uma pressão para que o sinal analógico seja desligado o quanto antes. Com o switch-off, as radiofrequências na faixa de 700MHz vão ficar liberadas para operadoras de telefonia móvel utilizarem para serviços de 3G e 4G. A faixa de 700 MHz tem alcance superior às usadas atualmente e, portanto, é mais barata.
– O atraso (do desligamento) debilita a expansão da internet móvel – explica Cristiane.
Em abril, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) realizou uma consulta pública para estudar a autorização desta faixa pelas operadoras, mas, segundo a agência, não há previsão de datas para o leilão.
Zero Hora