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TV digital: radiodifusores cobram testes de interferência do 4G

TV digital: radiodifusores cobram testes de interferência do 4G

Na SET 2013 ficou evidenciado que o plano do governo de antecipar o apagão da TV analógica não agradou aos radiodifusores. O clima de tensão com as teles é grande, assim como, com os próprios órgãos reguladores do Governo. Executivos do setor cobram maior transparência. “Não está claro que as teles vão bancar essa digitalização. E falta pouco tempo”, observou Fernando Bittencourt, da Rede Globo. Luis Claudio Costa, da TV Record e da Abratel, exige a divulgação dos testes da Anatel. “Temos a convicção que foram ruins”.

O tema interferência do 4G na radiodifusão e a perda de espectro no 700 Mhz para as teles domina os debates da SET 2013. Na cerimônia de abertura do evento,nesta terça-feira, 20/08, que contou com a presença do presidente da Anatel, João Rezende, mas não teve a participação do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, o presidente da Sociedade de Engenharia de Televisão, Olímpio Franco, cobrou um ‘bom planejamento de transição’ para evitar problemas – o principal dele – a necessidade de comunicar mudanças significativas para os consumidores.

O presidente da Associação dos Radiodifusores (Abratel) e da TV Record, lembrou que faltam menos de 20 meses para o apagão analógico nas cidades onde há interferência da TV na faixa de 700 MHz. “É muito pouco tempo. Sei que nós no Brasil temos a mania de deixar tudo para a última hora, mas isso significa um custo muito elevado. Estamos preparados para fazer esse apagão? Os testes da SET revelaram que há problemas graves. Infelizmente, os testes da Anatel ainda não foram divulgados. Mas temos a convicção que eles também têm resultados ruins. Estamos buscando um acordo e podemos chegar a ele, mas o prazo ficou apertado”, salientou.

O presidente da Anatel, João Rezende, adotou uma postura bastante tranquila. “Não podemos nos acovardar diante dos desafios. Precisamos modernizar as infraestruturas de telecomunicações e da radiodifusão. Precisamos é sentar juntos à mesa para encontrarmos a melhor posição para o Brasil. Essa tensão é positiva”, frisou. Uma das maiores preocupações dos radiodifusores é a questão das TVs atuais.

“Temos a convicção que a grande maioria das TVs em uso hoje vão ter que usar um filtro para captar o sinal da TV digital aberta por conta da interferência do LTE no nosso sinal. Como explicar isso ao consumidor? São questões muito sérias para serem trabalhadas”, ponderou o presidente da SET, Olímpio Franco. Outro ponto importante: os radiodifusores não entendem como certa a responsabilidade das teles de pagar a digitalização para uso do espectro de 700 Mhz.

“Não está claro que isso vai acontecer. Precisamos ter isso muito bem definido. Há muito dinheiro em jogo e falta pouco tempo”, destacou Fernando Bittencourt, da Rede Globo. Com relação ao apagão, 2015 não preocupa. Mas sim os anos de 2016 a 2018. “Será pouco tempo para tanta transformação. O custo é elevado e há desigualdade grande no setor”, ponderou.

Outro problema à vista com o apagão é a perda dos one-seg. “Eles serão perdidos ou desativados”, sustentou o presidente da SET, Olímpio Franco, ao falar da ‘perda’ de 18 canais com a realocação da TV. Na linha defendida pelo presidente da Anatel, o Minicom está tentando um ajuste fino para evitar perdas,mas admite que o one-seg  – transmissão de TV digital para celulares e para os GPS usados nos táxis – pode ser prejudicado. Mas há uma intenção de evitar prejuízos.

“Se a emissora concordar em trocar de canal vai ser muito melhor, porque não vou precisar desligar a cidade e vou continuar dando outorgas nessa localidade. A gente está fazendo essa ginástica para organizar tudo sem prejuízo para nínguém”, explica Patrícia Ávila, secretária interina de Comunicação Eletrônica do Minicom.

Também já há uma postura mais flexível com relação ao planejamento de apagão. Patrícia Ávila sustentou que a questão dos receptores sem filtro terá de ser resolvida pelo governo. “Ninguém vai ficar sem o sinal da TV no Brasil. Se tivermos que postergar o apagão, como outros países já o fizeram, vamos fazer, mas isso será decidido por um outro governo.

Por Ana Paulo Lobo

Fonte: Convergência Digital

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