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Depois de longa batalha, Facebook fecha acordo com imprensa francesa para pagar por conteúdo jornalístico

Depois de longa batalha, Facebook fecha acordo com imprensa francesa para pagar por conteúdo jornalístico

Data: 25/10/2021
Veículo: Media Talks

Londres – A França celebrou ontem (21/10) uma vitória em sua luta para levar as gigantes de mídia digital a compensarem os veículos de imprensa pelo uso de conteúdo jornalístico em suas plataformas.

A empresa americana fechou um acordo de vários anos com um grupo de jornais nacionais e regionais franceses para pagar pelo conteúdo compartilhado por seus usuários.

O contrato envolve a aliança APIG, que inclui publicações como Le Parisien e Ouest-France, além de títulos menores.

O valor do negócio não foi revelado. O comunicado que anunciou o acordo diz que o Facebook  investirá  pelo menos um bilhão de dólares para apoiar empresas de mídia nos próximos três anos, sem especificar em que países ou projetos.

Mas a julgar pelas declarações dos envolvidos, o acordo foi bom para os veículos.

Pierre Louette, chefe do grupo de mídia Les Echos-Le Parisien, disse que os termos do contrato permitirão ao Facebook implementar a lei francesa “ao mesmo tempo em que gerarão receitas significativa” para os editores de notícias, principalmente os menores.

Outros jornais, como o diário nacional Le Monde, já tinham negociado seus próprios acordos nos últimos meses.

França contra a dominação das Big Techs

O acordo foi interpretado como uma vitória da França , que vem lutando há dois anos para proteger os direitos de publicação e as receitas da mídia de notícias contra o que chama de “dominação de poderosas empresas de tecnologia que compartilham conteúdo de notícias ou mostram notícias em pesquisas na web”.

O gigante das redes sociais disse que o acordo de licenciamento com a aliança de jornais nacionais e regionais “significa que as pessoas no Facebook poderão continuar a carregar e a compartilhar notícias livremente entre as suas comunidades, ao mesmo tempo que garantem a protecção dos direitos de autor dos nossos parceiros de publicação.”

Pressão legislativa contra plataformas digitais

A decisão da empresa americana foi tomada em um cenário de crescente pressão legislativa na França e na Europa.

A lei da União Europeia que rege direitos autorais foi reformulada em 2019 e passou a cobrir fragmentos de conteúdo jornalístico exibidos por terceiros.

A França é um dos poucos países que implementou a reforma, que concede a publicações o direito de solicitar remuneração quando seu conteúdo é exibido em redes sociais e plataformas online, o chamado “direito vizinho”.

O Google foi o primeiro a firmar contratos na França. Mas não se livrou de problemas.

Em julho, a autoridade de concorrência da França multou o Google em € 500 milhões (cerca de R$ 3 bilhões) por não respeitar as medidas provisórias impostas no ano passado, que exigiam que a empresa negociasse “de boa fé” com órgãos de imprensa sobre compensação financeira pelo conteúdo jornalístico.

A decisão foi motivada por reclamações de entidades e veículos de imprensa franceses, incluindo o Sindicato das Editoras de Revistas, a Alliance of General Information Press (APIG em francês) e a Agence France-Presse (AFP), à Autorité de la Concurrence de que o Google não estava negociando acordos de licenciamento “com boa fé”.

Austrália foi a primeira a legislar sobre pagamento por conteúdo

O primeiro país a desafiar seriamente as plataformas digitais e levá-las a pagar por conteúdo jornalístico foi a Austrália.

No início deste ano, o país aprovou uma lei determinado que as empresas de tecnologia entrassem em acordo com a mídia em torno da remuneração. E que se não houvesse acordo voluntário, haveria um processo de arbitragem, comandado pelo governo, para definir valores de pagamento.

As plataformas resistiram o quanto puderam. O Facebook chegou a suspender a circulação de notícias na plataforma dias antes da votação da lei no Parlamento, criando uma reação negativa ainda maior. Mas a bravata não adiantou muito.

A lei foi aprovada em fevereiro incorporando algumas propostas do Facebook, que críticos consideraram uma flexibilização a favor da empresa. Mas o fato é que o objetivo foi atingido, pois os acordos foram firmados.

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