Combate à desinformação, educação midiática e proliferação de notícias falsas: esses foram alguns dos assuntos abordados com o deputado federal Luizão Goulart (Republicanos-PR), em entrevista para a Abratel.
O parlamentar visitou a sede da Associação em Brasília e foi recebido pelo presidente Márcio Novaes e equipe, que apresentaram os trabalhos realizados pela Abratel em defesa do setor de radiodifusão.
Vice-presidente do Republicanos/PR, Goulart está em seu primeiro mandato de deputado federal e tem a educação como principal bandeira política. Foi vereador e prefeito por dois mandatos de Pinhais (PR) e presidente da Câmara de Vereadores. Também exerceu o mandato de deputado estadual.
O parlamentar é autor do PL 5959/19, que estabelece o direito à portabilidade de dados pessoais ao usuário de provedores de aplicações de internet; e do PL 3819, que prevê a instalação de infraestrutura de conexão de acesso em banda larga à internet para estabelecimentos de ensino público e bibliotecas públicas com utilização de recursos do FUST.
Confira a entrevista:
Luizão, uma das grandes defesas da Abratel é que a desinformação se combate com jornalismo profissional e de qualidade. O senhor também entende que esse é o caminho?
Com certeza. Mas é importante ressaltar que, o brasileiro aprendeu a dar muito valor nas informações do jornalismo do rádio e da televisão. Tanto que se um assunto passa numa rede de televisão, por exemplo, as pessoas costumam absorver aquilo como uma verdade. Por isso, a grande responsabilidade dos meios de comunicação com as informações que produzem e replicam.
Deputado, o senhor já foi professor e teve contato com crianças e jovens de todas as idades. E, como se sabe, com o advento da internet, eles estão conectados o tempo todo no celular e em contato direto com as fakes news nas redes sociais. Como a educação midiática pode se fortalecer para frear a proliferação dessas notícias falsas e contribuir para a formação das crianças e dos jovens?
Nós temos que conviver com a rede de informações que hoje estão à disposição das pessoas, além do jornalismo de qualidade, do rádio, da televisão e do jornal. Nós temos a internet à disposição de todos, da criança ao mais idoso, e as pessoas se orientam pelas informações que recebem. Se elas têm as informações verdadeiras, elas vão se orientar e tomar decisões baseadas nestas. Se as informações são falsas, evidente que elas vão tomar juízos distorcidos da realidade.
Por isso a educação, de forma geral, tem uma grande responsabilidade. A educação formal não evoluiu o suficiente para poder conviver com essa diversidade e multiplicidade de conteúdos que estão bombardeando as crianças e jovens. Nós temos que aperfeiçoar o nosso sistema educacional formal.
As famílias e os pais também têm que dedicar um tempo a isso, pois o eu que percebo na sociedade os conteúdos correm soltos, está tudo disponível, tanto as informações verdadeiras, quanto as informações falsas. Tanto os conteúdos educativos, quanto os que não contribuem com a formação do cidadão.
Nós precisamos de uma responsabilidade maior dos pais em relação a qual conteúdo seus filhos estão consumindo. A educação formal tem que evoluir a ponto de conviver com essa modernidade, mas, ao mesmo tempo, estabelecer limites e contribuir para que a informação verdadeira e de boas fontes prevaleça sobre as informações falsas. Nós vemos o quanto isso foi pernicioso em muitos momentos na sociedade brasileira, seja na política, na saúde ou no que se consome.
Hoje tudo é relativizado porque ao mesmo tempo que você tem a informação verdadeira, você tem a informação falsa. Se as pessoas não conseguem discernir entre uma e a outra, os assuntos ficam relativizados. Parece que está tudo certo. E isso advém daquilo que falei no início: o histórico do brasileiro é de dar muito valor ao jornalismo que se produz na televisão e no rádio, mas quando a informação começou a vir da internet, as pessoas, no primeiro momento, começaram a ver tudo como verdadeiro. E isso é um problema.
Por fim, gostaria que o senhor deixasse uma mensagem para as associadas da Abratel.
Eu gostaria de manifestar que nós estamos vivendo no Brasil um momento de muita insegurança em relação às informações e ao nosso futuro. É preocupante quando você vê muito radicalismo tanto de um lado, como do outro. Eu, como deputado federal, valorizo muito o equilíbrio e não aumentar essa tensão que nós estamos acompanhando em outros países. O resultado disso é muito prejudicial a sociedade. Não se constrói um futuro para o país com divisões, muito menos com radicalismo.
Então, a minha responsabilidade como representante da população – e dos meios de comunicação, é trabalhar para que nós encontremos um equilíbrio, porque não tem como a gente progredir com todas essas divisões que acontecem no Brasil hoje. Os meios de comunicação têm uma grande responsabilidade de apontar um caminho para que a gente possa construir um Brasil cada vez melhor, com informações verdadeiras e, principalmente, com equilíbrio.
Por Amanda Salviano
Assessora de Comunicação da ABRATEL
(Foto: divulgação)