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Entrevista || Migração das Rádios AM para FM || André Trindade

Entrevista || Migração das Rádios AM para FM || André Trindade

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A Abratel preparou uma entrevista especial com algumas dúvidas mais comuns entre os radiodifusores a respeito da migração da faixa AM. Nosso entrevistado é o consultor técnico da Associação, o engenheiro de comunicações André Felipe Trindade.

Trindade faz parte do Conselho Consultivo de Rádio Digital do Ministério das Comunicações (Minicom) e tem acompanhado tanto o processo de migração quanto o processo de digitalização do rádio desde o início dos trabalhos.

Confira!

Com a assinatura do decreto de migração, o modelo rádio AM será acabará?

O decreto extinguirá apenas a exploração de ondas médias em caráter local. As emissoras de caráter regional ou nacional não serão atingidas. Sendo assim, a exploração de serviços de rádio AM irá continuar, em especial, pelas emissoras do poder público.

Existiu uma atuação forte de rádios do setor público contra a migração, pois elas consideravam que iria haver uma fuga de ouvintes. Vemos que essa comparação é injusta, pois as emissoras AM comerciais dependem da receita de publicidade e faturamento e com a audiência em declínio, essa receita estava minguando.

A operação em OC continuará a existir. O futuro ainda é incerto, pois há a possibilidade de digitalização dessa faixa também, operando com uma qualidade de áudio próxima a de CD. Atualmente não vemos o desenvolvimento de outros serviços de comunicação para esta faixa.

A migração é obrigatória? 

A migração não será obrigatória. Quem quiser continuar explorando o serviço em ondas OM poderá continuar, mas acreditamos que as emissoras das capitais e outros centros urbanos irão optar pela migração. Quem não quiser, poderá continuar operando normalmente, mas deverá sofrer algumas adequações previstas no decreto.

O desligamento da TV analógica pode interferir nesse processo de migração das rádios? 

Não há nenhuma necessidade de se aguardar o apagão analógico. Pode se explorar o canal que estiver desocupado. Se formos aguardar, estaríamos amarrando a migração ao calendário de apagão analógico, cujas as datas ainda são uma incógnita.

A migração para a faixa FM estendida poderia tecnicamente ocorrer antes do fim da transmissão analógica do sinal de TV. Em São Paulo, por exemplo, o canal 5 é utilizado por uma emissora de TV. Logo, poderíamos utilizar o canal 6 para alocar algumas emissoras AM que optassem pela migração.

Porém, você acabaria beneficiando apenas algumas emissoras AM, pois ainda haveria a necessidade de mais canais nessa faixa, o que aconteceria somente com o apagão do canal 5.

Talvez a migração só ocorra com o apagão para oferecer igualdade de condições a todos. Outrossim, mesmo sem o apagão, o setor industrial poderia já começar a produção de receptores aptos a operar com a faixa FM estendida. Assim, quando ocorresse a migração, já haveria uma quantidade razoável de receptores no mercado.

Quando o radiodifusor deve solicitar a migração

Segundo o Minicom o prazo se inicia em janeiro de 2014. Entretanto, recomendo que as emissoras primeiramente façam um estudo de custos dos equipamentos necessários para a migração, bem como um novo sistema irradiante. As emissoras possivelmente deverão mudar de local de transmissão. Na frequência OM, o transmissor geralmente ficava em locais mais úmidos. Já na frequência FM, deve se procurar locais mais altos para propiciar uma maior cobertura.

É necessário que estes estudos sejam feitos para que já conste o novo local nos pedidos a serem apresentados para o Ministério das Comunicações. Melhor seria que o radiodifusor aguardasse o Ministério publicar novas portarias sobre o procedimento antes de protocolizar qualquer pedido. Possivelmente esta portaria saia nos primeiros dias de 2015.

Como ficam os custos na relação migração x digitalização? 

Os custos serão baixos se o radiodifusor adquirir um equipamento já apto para a digitalização.

Não é necessário o desenvolvimento de novas tecnologias, pois a migração para a faixa estendida é tecnicamente viável. Os fabricantes devem adaptar sua produção nos próximos meses de modo a atender a nova demanda.

Antigamente inclusive havia um forte lobby para que a migração ocorresse apenas em tecnologia digital. Hoje o Ministério considera a digitalização uma realidade distinta e que ainda está sob estudos. Ainda teremos testes de rádio digital em 2014. A digitalização, se realmente ocorrer, será depois da migração e com cronograma diferente.

O radiodifusor deverá aguardar o desdobrar deste decreto, quando o Ministério for divulgar o custo a ser pago para a exploração do canal FM. Desde o início sabíamos que haveria custo, pois o governo não daria um tratamento diferenciado entre as FM que já exploram o serviço e as novas entrantes na faixa. A fórmula de cálculo será definida futuramente pelo Ministério das Comunicações.

Quando se inicia o processo de migração? 

O calendário será de acordo com a rapidez do governo para análise dos pedidos, mas possivelmente somente em 2015, pois o radiodifusor deverá aguardar todo o procedimento administrativo e adquirir novos equipamentos.

Por João Camilo
Ascom – Abratel

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