Associação Brasileira de Rádio e Televisão

O rádio no Brasil: no ar há 91 anos

Edgar Roquette Pinto, o pai da radiodifusão no Brasil, acreditava no poder educativo do rádio

Hoje, comemora-se pela 91ª vez o “Dia Nacional do Rádio” no Brasil. O dia 25 de setembro foi escolhido em homenagem ao fundador do rádio no país: Edgar Roquette Pinto, que nasceu no Rio de Janeiro nessa mesma data, em 1884, e morreu em 18 de outubro de 1954. A Conexão MiniCom preparou um post especial para contar um pouco sobre a história do rádio, um veículo de comunicação que ainda tem grande importância para várias regiões no país.

Clique aqui para ver a linha do tempo da história do rádio

O  ano de comemoração do primeiro centenário da Independência do Brasil marcou a chegada oficial do rádio ao país e, em 7 de setembro de 1922, na então capital federal Rio de Janeiro, durante a Exposição do Centenário da Independência, aconteceu a primeira transmissão radiofônica no país.

Empresários norte-americanos que trouxeram a tecnologia da radiodifusão para demonstração fizeram testes de transmissão e instalaram uma estação e uma antena no topo do morro do Corcovado. Na ocasião, os primeiros ouvintes tiveram a chance de acompanhar, além do pronunciamento do então presidente Epitácio Pessoa, a ópera “O Guarani”, de Carlos Gomes – que foi transmitida no Teatro Municipal.

A primeira rádio brasileira

“Eis uma máquina importante para educar nosso povo”, saudou Edgar Roquette Pinto (1884/1954), médico, escritor, legista, considerado o “pai da radiodifusão no Brasil”, durante a transmissão no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Ele tentou convencer o governo brasileiro a adquirir os equipamentos apresentados no evento, mas não conseguiu. Já a Academia Brasileira de Ciências atendeu aos seus apelos e comprou a aparelhagem. Assim, ainda nesse mesmo ano, foi criada a pioneira Rádio Sociedade do Rio de Janeiro – que mais tarde se tornaria Rádio MEC, ainda hoje no ar. A inauguração ocorreu em abril de 1923. Na programação, óperas, concertos, recitais de poesia e palestras culturais. Naquela época, o rádio brasileiro ainda estava distante de ser um meio popular. Financiada por doações de ouvintes, é reconhecida como a primeira emissora de rádio brasileira. Mas, em 1919, a pioneira emissão radiofônica teve lugar no Recife, por meio das ondas da Rádio Clube de Pernambuco –  inaugurada em fevereiro de 1923.

Padre Landell, o inventor do rádio

Mas muito antes, em 1899, um padre gaúcho, Roberto Landell de Moura, transmitiu a voz humana por meio de ondas eletromagnéticas ou de um feixe luminoso. Ao usar a luz para transmitir dados, o padre – aliás, tido como um dos inventores do rádio   –  colocou em prática o princípio básico do laser e das fibras ópticas, tecnologias que só foram desenvolvidas a partir de 1980. Só em 2012, seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis Nacionais, em sanção da presidenta Dilma Rousseff.

Roberto Landell de Moura

Selo comemorativo aos 150 anos de nascimento do padre Roberto Landell de Moura, um dos inventores do rádio

O jornal “O Estado de S.Paulo” noticiou que, naquele ano, Landell de Moura transmitiu a voz humana a partir do Colégio das Irmãs de São José – atual Colégio Santana, na zona norte da capital paulista. Também efetuou demonstrações públicas de seu invento no dia 3 de junho de 1900, que foram noticiadas pelo Jornal do Commercio de 10 de junho de 1900. (Saiba mais sobre a história do padre Landell neste especial produzido em 2011 pela Conexão MiniCom)

Era de Ouro

Em 1927, o som dos discos passa a ser conectado a uma mesa de controle e deixa de ser captado diretamente pelo microfone. A partir da década seguinte, o rádio se torna um grande veículo de massa. César Ladeira, inicialmente na Rádio Record (São Paulo), e mais tarde na Mayrink Veiga (Rio), foi quem profissionalizou o rádio brasileiro, criando elencos exclusivos e remunerados – abrindo as portas para os célebres programas de auditório, radionovelas e humorísticos.

Outro dado importante para a popularização do meio foi o decreto do governo de Getúlio Vargas que possibilitou, em 1932, a introdução de propagandas, então chamadas de reclames. Além disso, houve umboom de investimentos estrangeiros, que abriu caminho para o surgimento da indústria fonográfica. Assim, tinha início a era da distribuição de concessões de emissoras. E já nesta época o rádio passou a se firmar como veículo de propaganda politica. Os pronunciamentos de Vargas eram campeões de audiência.

O imenso sucesso do rádio levou o governo a criar o Departamento Oficial de Propaganda (DOP), mais tarde transformado no Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), que fiscalizava as emissoras e tinha o poder de censurar.

Rádio Nacional e A Voz do Brasil

Outro momento marcante foi a inauguração da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, em 1936, que, com transmissões em ondas médias e curtas, atingia todo o território nacional e até outros países. Percebendo o potencial de divulgação das transmissões nacionais, Vargas usou a emissora para fazer propaganda política. Pouco antes, o presidente acatou a ideia de criar a Voz do Brasil, concebida por Armando Campos, que foi ao ar pela primeira em junho de 1935, sob o título de “Programa Nacional”, e com locução de Luiz Jatobá – que se tornaria uma das celebridades da época.

Em 1938, o programa passou a ter veiculação obrigatória, com a divulgação dos atos do Poder Executivo, já com o horário que o consagraria, das 7 às 8 horas da noite. Àquela altura, o país já contava com mais de 70 emissoras de rádio.

Radio

Modelo de rádio dos anos 50, que faz parte de exposição permanente no edifício-sede do MiniCom, em Brasília (Foto: Herivelto Batista)

A Rádio Nacional merece um capitulo à parte na história do rádio brasileiro. A emissora revolucionou a linguagem e programação radiofônicas e se manteve líder de audiência por mais de 20 anos. No início, era uma empresa privada, mas foi estatizada pelo Estado Novo de Getúlio Vargas em 8 de março de 1940, que a transformou na rádio oficial de seu governo. Tinha o melhor e mais famoso elenco de músicos, cantores e radioatores do período, e foi ponta de lança na expansão do alcance nacional e na melhoria das instalações e equipamentos. Em 1942, a emissora inaugurou a primeira estação de ondas curtas, que possibilitou ampliar ainda mais sua audiência em todo o território brasileiro.

Radionovelas e o Repórter Esso

“Em busca da Felicidade”, a primeira radionovela da emissora, de 1941, se tornou um fenômeno, mas havia outros campeões de audiência como o antológico “Edifício Balança mais não cai” que contava com Paulo Gracindo, Brandão Filho, Walter D’Ávila, entre outros (mais tarde, teria sua versão para a TV).

A Rádio Nacional também inovou o radiojornalismo em 1941, ao criar, durante a 2ª Guerra Mundial, o Repórter Esso, que fez escola e serviu de modelo para outros noticiários. Sucesso longevo, ficou no ar até 1968, com o slogan “a testemunha ocular da história”. Celebrizou os locutores Heron Domingues, Celso Guimarães e Cezar Ladeira.

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Heron Domingues, um dos apresentadores do Repórter Esso, que revolucionou o radiojornalismo no Brasil

As cantoras do rádio

“Nós somos as cantoras do rádio/ levamos a vida a cantar/
De noite embalamos teu sono/
de manhã nós vamos te acordar/
Nós somos as cantoras do rádio/
nossas canções cruzando o espaço azul/
Vão reunindo num grande abraço corações de Norte a Sul”.

Este é o trecho inicial de “Cantoras do Rádio”, de Lamartine Babo, que estourou na voz das irmãs Carmen e Aurora Miranda em 1936. Foi graças ao rádio que Carmen se  tornou o primeiro ícone de massas no Brasil – um sucesso fulminante, que a levaria a palcos de diversos países até chegar a Hollywood como estrela de primeira grandeza.

A canção assinala um fenômeno tipicamente brasileiro, que teve seu auge nos anos 1940, e consagrou como grandes estrelas nomes como Aracy de Almeida, Emilinha Borba, Marlene, Cauby Peixoto, Angela Maria, Orlando Silva, as irmãs Linda e Dircinha Baptista, entre muitos outros.

Emilinha Borba rainha do radio

A cantora Emilinha Borba foi eleita várias vezes a Rainha do Rádio

Em 1953, três anos depois da chegada da televisão entre nós, havia cerca de 447 emissoras de rádio no país, pertencentes as 391 empresas e quase meio milhão de aparelhos receptores. Mas a TV, ao contrário de tantas previsões da época, não acabou com o rádio – que persiste ainda hoje, em plena nova era digital, em tempos de convergência e integração de mídias.

Panorama

Hoje, o país conta com cerca de mais de 9,6 mil emissoras de rádio em funcionamento (entre comerciais, educativas e comunitárias, na AM e na FM). Dez anos atrás, as rádios  brasileiras somavam menos da metade desse número. Presente em 88,1% dos domicílios do país, perde apenas para a TV (com cerca de 97%) na presença dos meios de comunicação nos lares brasileiros. São 200 milhões de aparelhos de rádio convencionais e 23,9 milhões de receptores em automóveis, além do acesso por aparelhos celulares, que – segundo a Anatel –  hoje chegam a aproximadamente 265,7 milhões. A internet também contribui para a expansão do rádio. Cerca de 80% das emissoras do país já são disponíveis via computadores e dispositivos móveis.

É o velho e insubstituível rádio se adaptando às novas tecnologias. “O rádio segue firme no nosso dia a dia, porque também se transformou”, avalia o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, lembrando que o Governo Federal trabalha para dar à radiodifusão sonora condições necessárias para continuar ampliando seu espaço.

Na atual gestão, o MiniCom criou o Plano Nacional de Outorgas, com o objetivo de dar transparência e agilidade aos processos de concessões e, no caso de radiodifusão comunitária, universalizar o serviço, para que cada município brasileiro tenha ao menos uma emissora comunitária. Atualmente, já são 4.564 rádios comunitárias em atividade em mais de 3.800 municípios do país.

Fonte: Minicom

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