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SET Sudeste: setor debate transição para a TV 3.0, ambiente regulatório e novos modelos de negócio

SET Sudeste: setor debate transição para a TV 3.0, ambiente regulatório e novos modelos de negócio

Belo Horizonte sediou nesta quarta-feira (25) o primeiro SET Regional de 2026, evento que marca o pontapé inicial para a implementação da TV 3.0 no Brasil. O encontro, promovido pela Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), reuniu radiodifusores, especialistas e governo para traçar os rumos tecnológicos e econômicos da nova geração da televisão aberta.

Segundo o presidente da SET, Paulo Henrique Castro, o mercado audiovisual vive uma convergência inédita que exige respostas rápidas do setor. “Estamos em um momento de aceleração com inteligência artificial, TV 3.0 e nanotecnologia, em um mundo que está mudando muito rápido”, afirma.

Corrida regulatória e cronograma

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) conduz, atualmente, três consultas públicas decisivas para a TV 3.0, envolvendo desde a destinação de faixas de frequência até a atualização dos requisitos técnicos que definirão o padrão dos novos transmissores. O objetivo da agência é acelerar o cronograma de implementação. “O trabalho conjunto é essencial”, pontuou Vinícius Caram, superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da Anatel.

Financiamento e isenção de impostos

Para viabilizar a bilionária troca de parque tecnológico pelas emissoras, o Ministério das Comunicações (MCom) articula frentes de incentivo econômico e busca estabelecer o marco regulatório definitivo. Tawfic Awwad Junior, diretor de Inovação e Regulamentação da pasta, conta que o governo já iniciou tratativas com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial. O objetivo é alinhar requisitos para propor uma linha de captação de recursos externos, projeto que ainda dependerá de aprovação do Congresso Nacional.

Paralelamente, o MCom negocia com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a aplicação do regime de Ex-tarifário – mecanismo que reduz a 0% o imposto de importação – para equipamentos de telecomunicações não fabricados no Brasil, além de prever incentivos fiscais para fomentar a indústria nacional. No campo da inovação voltada ao telespectador, a pasta trabalha na regulamentação de aplicativos e da nova multiprogramação da TV 3.0.

Preservação do espectro, canais virtuais e recepção móvel

Do lado das emissoras, o foco está na eficiência da cobertura, na segurança técnica e na adaptação ao novo comportamento do consumidor. Wender Souza, engenheiro da Abratel e representante da SET na região Centro-Oeste, alertou para uma mudança comercial trazida pela TV 3.0: a urgência na regulamentação definitiva dos canais virtuais. Ele destacou que, ao abandonar a velha lógica de sintonizar números tradicionais, “a ordem de aparecimento dos aplicativos das TVs ou das emissoras se tornará crucial para o estabelecimento comercial da marca”, avaliou.

Na frente de infraestrutura, Souza defendeu os contornos protegidos propostos pela Anatel e indicou que esses valores de contorno possibilitarão aos radiodifusores planejar e instalar estações transmissoras de TV 3.0 para cobrir sua área de cobertura com nível de campo adequado para recepção interna. Pontuou que a implantação das redes de estações de TV 3.0 levará tempo. “Não será do dia para a noite que as emissoras parearão sua cobertura”, alertou. Ele defendeu que os radiodifusores tenham prazo para compor a nova malha de transmissão sem que lhes seja cobrada cobertura plena imediata ou que sofram perda de área de contorno protegido.

Por fim, o engenheiro reforçou uma pauta recorrente da entidade: a regulamentação para a recepção móvel. O objetivo é não perder a oportunidade de levar o sinal de TV aberto para os aparelhos celulares. Lembrou que a cada ano são cerca de 45 milhões de aparelhos vendidos no Brasil que poderão estar recebendo o sinal da TV aberta gratuitamente. Pela relevância do tema, Souza argumenta que a discussão “deveria ser descolada da TV 3.0” para avançar de forma independente e mais rápida.

Sustentabilidade financeira e modelo de negócios

Sob a ótica de mercado, a transição impõe o desafio de equilibrar a operação atual com os investimentos futuros. Durante painel com executivos de grupos de comunicação mineiros e nacionais, coordenado por Patrícia Gomes, diretora de Jornalismo da RECORD Minas, a sustentabilidade financeira foi o ponto focal.

André Dias, superintendente de Rede da RECORD e vice-presidente de Televisão da Abratel, lembrou que a operação robusta do jornalismo ao vivo, que gera custos altos, ainda é essencialmente financiada pelo modelo tradicional do break publicitário. “Precisamos expandir o nosso modelo de negócio nas plataformas”, ressaltou. Para ele, embora a definição regulatória traga confiança para o setor investir, a verdadeira resposta sobre o impacto da TV 3.0 na audiência e no faturamento só virá quando o serviço, de fato, chegar à casa dos brasileiros.


Da esq. para a dir.: Wagner Espanha (diretor de Vendas e Marketing da RECORD Minas), André Dias (superintendente de Rede da RECORD e vice-presidente de Televisão da Abratel), Luciano Ribeiro (diretor-geral da RECORD Brasília) e Paulo Batista (diretor executivo da RECORD Minas).

Por Amanda Salviano
Fotos: divulgação/RECORD Minas e SET Brasil

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