A Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET), deu uma entrevista coletiva na última quinta-feira (13) a respeito da interferência do serviço de 4G na TV aberta. Além de testes que apontam o quadro de problemas na transmissão e recepção do sinal, a entidade apresentou as principais medidas preventivas para evitar prejuízos de telespectadores e emissoras de TV.
Segundo o estudo, realizado pelo Laboratório de TV Digital da universidade e já submetido ao Ministério das Comunicações e à Anatel, a interferência prejudicial no caso da recepção de TV digital significará interrupção na recepção da programação, imagem congelada ou tela negra. “Em todos os países que iniciaram a regulamentação para operação do serviço móvel celular em faixa adjacente à de televisão, as questões de interferência entre os serviços estão no cerne das discussões”, afirma Olímpio José Franco, Presidente da SET.
Segundo Olímpio o problema atinge mais locais do que o que está sendo divulgado pelo governo e a interferência vai além de uma simples perda de imagem ou áudio. “A interferência é real. O risco da tela negra é claro. A maioria das antenas de TV digital no Brasil é interna. O celular pode, sim, mexer na qualidade da imagem”, disse.
Abratel não aceita que TV aberta seja prejudica
A Abratel tem defendido junto ao Governo Federal, Ministério das Comunicações, Anatel, Senado e Câmara, que a TV aberta não sofra nenhum tipo de prejuízo por conta da desocupação da faixa dos 700MHz.
Para a associação, o serviço prestado pelas radiodifusoras é extremamente relevante para a população brasileira. “A TV aberta alcança hoje mais de 90% da população. É inadmissível que um serviço tão importante, gratuito e de qualidade tenha sua transmissão prejudicada”, afirmou o presidente da entidade Luiz Cláudio Costa.
“Assim como já estamos fazendo de forma intensa, trabalharemos sem descanso para que esse patrimônio brasileiro, que é a radiodifusão, seja mantido e que a população tenha esse direito resguardado”, declarou o presidente.
Principais medidas
Além dos testes realizados, a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET) vem estudando o tema da interferência e acompanhando os trabalhos na UIT e em outros países. Em 2013, trouxe para o Minicom e a Anatel uma rica interação com empresas e entidades reguladoras da França, Reino Unido, Japão, Austrália e Alemanha. Também promoveu dois seminários de grande profundidade técnica, que contaram com a participação do Ministério das Comunicações do Japão, do Minicom e da Anatel.
Toda essa atividade da SET levou a entidade a concluir que será necessária a revisão das especificações da Resolução no 625/2013 da ANATEL com a adoção de envoltórias mais rígidas, com limitações das emissões espúrias para propiciar a introdução da banda larga móvel em UHF sem causar um “apagão” de milhões de residências que dependem da TV aberta. Além disso, para não reduzir adicionalmente os canais destinados à televisão aberta, torna-se necessário aumento de banda de guarda entre os dois serviços.
Segundo a entidade, caberá também à Anatel criar requisitos técnicos e impor obrigações às operadoras de telecomunicações na operacionalização de medidas de mitigação que evitem as interferências sobre as recepções de sinais digitais dos televisores dos telespectadores.
Entre as medidas propostas pela entidade para permitir a convivência do 4G/LTE e da TV digital em faixas adjacentes está a revisão dos sistemas domésticos de recepção de TV, em sua ampla maioria frágeis e antigos. “A necessidade de reformular o parque doméstico de antenas de recepção implica em custos expressivos, que ainda precisam ser calculados, e num enorme desafio logístico. Também impõe aos profissionais da SET a responsabilidade de apoiar o desenvolvimento de profissionais e a especificação de equipamentos adequados a essa tarefa”, observa Franco.
Por João Camilo
Com informações da SET