O papel da comunicação foi um dos pontos centrais dos debates no 14º Fórum de Lisboa, realizado na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL), em Portugal. Em meio a discussões sobre como a nova ordem internacional afeta o Estado contemporâneo, a radiodifusão foi apontada como uma ferramenta para o fortalecimento da soberania nacional e para a garantia do acesso à informação segura.
A defesa foi feita por Márcio Novaes, presidente da Abratel, durante o painel “Estratégias de comunicação na nova ordem internacional”. A mesa foi moderada pelo ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, e contou com a participação do vice-presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Luis Felipe Salomão; da jornalista da CNN Brasil, Daniela Filomeno; e do presidente da Comissão de Direito Desportivo da OAB-RJ, Pedro Trengrouse.
Em sua exposição, Novaes argumentou que, embora o avanço tecnológico tenha superado as barreiras territoriais clássicas do setor, a radiodifusão comercial brasileira mantém uma estrutura sólida, construída e aprimorada ao longo do tempo.
“A tecnologia rompeu essa questão da soberania territorial, ela já não existe na comunicação há muito tempo. Mas o rádio e a televisão deram, e ainda dão ao Brasil, um fortalecimento dessa soberania, porque construíram uma estrutura sólida que vem se apurando ao longo do tempo”, afirmou Novaes.
O presidente da Abratel ressaltou o compromisso do setor com o jornalismo praticado de forma rigorosa. Segundo ele, o processo de apuração e a transmissão de informações corretas e seguras mantêm a relevância dos veículos em um ecossistema digital cada vez mais dinâmico e plural.
Novaes observou que o cidadão mantém o hábito de buscar a confirmação das informações nos veículos tradicionais sempre que se depara com incertezas. “Ainda bem no Brasil que, todas as vezes em que as pessoas têm uma dúvida ou uma insegurança com uma ‘notícia’ que circula pelas redes sociais, elas buscam o rádio e a televisão para saber se aquilo realmente é fato e, a partir daí, formar a sua opinião”, pontuou o executivo.

O evento
Organizado pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), pelo Lisbon Public Law Research Centre (LPL) e pela FGV Justiça, o Fórum de Lisboa ocorreu entre os dias 1º e 3 de junho de 2026.
Com o tema central “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”, a 14ª edição reuniu acadêmicos, autoridades políticas e jurídicas do Brasil e da Europa para debater as transformações estruturais no cenário global e seus reflexos na economia, saúde, sustentabilidade e nas instituições democráticas.
Por Amanda Salviano