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Entrevista: Abratel celebra o Dia Mundial do Rádio

Entrevista: Abratel celebra o Dia Mundial do Rádio

No dia 13 de fevereiro foi celebrado o Dia Mundial do Rádio. A data lembra o início das transmissões da Rádio das Organização das Nações Unidas (ONU), em 1946. O programa Justiça na Tarde, da Rádio Justiça, convidou o diretor-geral da Abratel, Samir Nobre, para falar sobre a importância do meio de comunicação que faz companhia e leva notícias, informação e cultura para os mais diversos públicos em todo o planeta. Confira o bate-papo com o apresentador Valter Lima.

Como o senhor vê o rádio no Brasil nessa questão de prestar um serviço à grande nação nacional?

O dia 13 de fevereiro é muito especial para o rádio. Aqui no Brasil o meio tem um papel fundamental para a sociedade. Estamos perto de completar 100 anos da primeira transmissão de rádio no país e esse é um serviço extremamente importante para toda a sociedade, principalmente por conta da imensa capilaridade que o rádio possui em todo o Brasil. Hoje, nós temos mais de 5.500 emissoras cobrindo todas as regiões e levando informação, cultura e entretenimento para a população brasileira de forma completamente gratuita. Outra questão relevante é a essencialidade deste serviço. No ano passado, no início da pandemia da Covid-19, o rádio foi decretado como um serviço essencial para toda a população. Nós podemos colocar isso como um ponto-chave da relevância que a informação gratuita tem para cada cidadão.

E como o senhor avalia a relação da população com rádio? Ele ficou para trás com o advento das novas tecnologias?

Vários meios de comunicação foram surgindo da década de 1980 até os dias de hoje, mas o que podemos verificar é que algumas dessas mídias já surgiram e desapareceram, outras estão surgindo, e o rádio continua firme e forte. Nós podemos citar aqui alguns dados recentes da Kantar IBOPE Media. Segundo o instituto, 78% dos brasileiros, de 13 regiões metropolitanas, ouvem rádio. E, ainda, 3 em cada 5 escutam rádio todos os dias e passam cerca de 4 horas e 40 minutos consumindo informação e cultura por esse meio de comunicação. Então, por mais que essas mídias surjam em virtude da tecnologia, o rádio vem se mantendo consolidado nas casas, nos carros ou até mesmo pela recepção por meio do aparelho celular.

Essa junção do rádio, da televisão e da internet é para muitos fantástica e para outros uma preocupação. É importante que, mesmo com essa junção, fique muito claro o papel de cada meio?

As tecnologias hoje são convergentes e essas formas foram criadas para que o cidadão possa recepcionar o rádio independentemente de onde ele estiver, por isso essa convergência é positiva. Antigamente, nós recepcionávamos o rádio por meio de um aparelho portátil ou em nossas casas. Ao longo dos anos nós fomos evoluindo e hoje conseguimos acessar via internet ou telefone. Esse é um ponto que vale a pena abordar aqui. Existe um projeto de lei (PL 8.438/17) muito importante em tramitação no Congresso Nacional, que conta com o apoio do ministro das Comunicações, Fábio Faria, que determina que todos os aparelhos celulares venham com um chip desbloqueado de FM. Isso vai permitir que todo o cidadão que possua um celular tenha acesso ao rádio sem o desconto do tráfego de internet. Essa é uma política de estado que irá assegurar acesso à informação, cultura e entretenimento de forma gratuita na palma da sua mão.

E o sistema de rádio AM? A tendência é acabar ou transformar tudo em FM?

A rádio AM, embora exista toda uma nostalgia da história da transmissão, é um serviço que hoje vem se demonstrando economicamente não muito viável. O custo de manutenção de uma emissora AM é muito maior do que uma emissora FM e, além de tudo, a qualidade de sinal não é equivalente. Com isso, existe uma política pública também do Governo Federal que foi instituída em novembro de 2013, por meio do decreto 8.139, que permite a migração das emissoras que transmitem em AM para FM. O objetivo é dar maior sustentabilidade às emissoras e garantir fôlego para manter uma transmissão de qualidade a toda população.

Mas em termos de alcance, a rádio FM faz o mesmo que a AM no sentido de chegar em regiões remotas e estar sempre ali de alguma maneira funcionando?

Sim! Entretanto, a rádio FM também tem essa capilaridade e potencialidade de alcançar lugares mais remotos. É claro que a AM, hoje, tem um alcance maior, mas dentro dessa política, quando a emissora faz a migração, é feito uma equivalência de potências que compensa a abrangência. Fora isso, a própria legislação prevê a possibilidade de, gradativamente, gerar um aumento de potência para que a rádio possa alcançar o maior número de pessoas possível. Então, ratifico que é uma política pública exitosa do Governo Federal para, justamente, manter essa capilaridade que as emissoras AM possuem.

Então o rádio ficará por mais mil anos, não é mesmo, Samir?

Exatamente! Nós não sabemos daqui dez, quinze, vinte, trinta anos quais serão os próximos meios de comunicação que irão surgir, mas, uma coisa é fato: o rádio e a televisão estarão lá presentes.

E qual é o papel da Abratel para assegurar a qualidade do rádio e a legislação?

A Abratel possui associadas de rádio e televisão e fazemos o acompanhamento de todo o setor de radiodifusão junto ao Governo Federal, Ministério das Comunicações, agências reguladoras e ao Congresso Nacional. Sempre defendendo a liberdade de expressão e a essencialidade do serviço de radiodifusão para população e, acima de tudo, a assimetria de regra. Hoje, mesmo com esses novos meios que vão surgindo à margem da lei, sem nenhum tipo de regulamentação, o rádio e a televisão continuam vivos e levando um serviço de qualidade e gratuito. Então, esse é o trabalho da Abratel: lutar pela essencialidade da radiodifusão para que ela chegue cada vez melhor aos brasileiros, assegurando que seja tratada com as mesmas regras de outros meios de comunicação que surgem sem a devida regulamentação, como os provenientes de plataformas digitais e redes sociais.

Para que possamos encerrar, que mensagem a Abratel deixa para quem está aí com rádio, fazendo rádio, ouvindo o meio.

Nossa mensagem é que o rádio e a televisão sempre serão meios fundamentais para que a população tenha acesso à informação profissional que foi checada e, de fato, informa com segurança e credibilidade cada cidadão. Acessem o rádio e a televisão que, com certeza, lá estarão as notícias produzidas por profissionais.

 

Assessoria de Comunicação da Abratel
Áudio: Programa Justiça na Tarde da Rádio Justiça

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