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Interferência: Abratel considera não conclusivos os testes feitos pela Anatel

Interferência: Abratel considera não conclusivos os testes feitos pela Anatel

A Agencia Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou na última sexta-feira (02) os resultados dos testes de convivência entre os sistemas de TV digital e internet móvel 4G. Ao mesmo tempo, a agência abriu duas consultas públicas sobre o leilão da faixa dos 700 MHz. Em resposta, a Abratel, juntamente como outras entidades que representam o setor de radiodifusão (SET, Abert e Abra), publicou uma nota conjunta esclarecendo que os testes não são conclusivos quanto à interferência e convivência harmônica entre os dois sistemas.

“O setor de radiodifusão participou, ativamente, dos testes e da elaboração dos relatórios e considera importante esclarecer aos interessados e à sociedade em geral que, apesar do rigor e da qualidade dos testes, as conclusões contidas nos relatórios não tem significado prático se não forem contextualizadas com as condições em que os testes foram realizados”, relata a nota.

Entre os problemas apontados pelas entidades estão a ausência de testes em cenários móveis, testagens com irradiação maior de sinal, a não mitigação de interferência em antenas internas e a parcial solução apresentada pelos filtros de interferência.

O engenheiro da Abratel, André Felipe Trindade, que acompanhou todo o processo de testes, ressalta que os filtros, apresentados como a principal solução, serão insuficientes em muitos casos. “Nos testes realizados vimos casos em que o filtro, sozinho, poderá ser insuficiente para mitigar a interferência do transmissor do LTE na recepção de TV Digital. Existem outros casos em que a emissão fora de faixa do terminal do usuário possa inviabilizar a recepção do sinal digital do sinal de televisão”,  afirmou o engenheiro.

Para a diretora da Sociedade Brasileira de Engenharia (SET), Ana Eliza Faria e Silva, o cenário onde a interferência será mais prejudicial é aquele que utiliza antena interna, devido à proximidade da antena com os aparelhos móveis. “No nosso caso, o brasileiro tem o hábito de usar antena interna. Este grupo está mais suscetível ao problema, porque o hábito é assistir à TV com o celular do lado. A realocação da faixa de 700 MHz põe em risco esse hábito. Além disso, haverá grande dificuldade em instalar antenas externas, principalmente, nos casos de edifícios”, afirma.

Por João Camilo
Ascom – Abratel

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